Bruno de Carvalho abandona o Facebook e pede exigência aos adeptos

É do conhecimento público que a rede social Facebook tem sido o meio mais utilizado por Bruno de Carvalho para comunicar com os adeptos, mas ao que parece essa estratégia de comunicação não é para continuar. Num longo post, publicado nessa mesma rede social, o Presidente do Sporting anunciou que vai deixar de fazer declarações através do Facebook, aproveitando também para fazer uma análise à temporada que está prestes a terminar.

“As plataformas continuam, para mim, a ser um modo de comunicação global privilegiado. Apesar disso, e depois de uma profunda análise, creio que chegou a hora de abandonar o Facebook. A minha vontade de proximidade com o universo leonino, acabou por ter um lado perverso que não pretendo ver aumentado. Tem a ver com o ultrapassar de fronteiras onde se confunde vontade de estar próximo com o ser incomodado, a toda a hora, com opiniões despropositadas e intromissões na vida pessoal. Serei sempre um Presidente próximo, presente e consciente das suas tarefas e objectivos, mas esta ferramenta deixará de ser um desses modos de comunicação com a Família Sportinguista.

Assim, este será o meu último post que espero contribua para a compreensão de toda a estratégia pretendida para o Sporting Clube de Portugal e o papel de todos para a sua concretização.

Compreendo perfeitamente a frustração desta época, e não só a nível do futebol, mas o que tenho lido e recebido de mensagens ultrapassa o limite da justiça e respeito que se deveria ter por quem, como eu, passei a dedicar a minha vida ao Clube que amo. Todos devemos refletir e ser justos com vista ao nosso objectivo comum: a Glória!”

O Presidente que foi recentemente eleito para cumprir um segundo mandato pediu ainda aos adeptos para continuarem a apoiar a equipa tanto nas vitórias como nas derrotas, mas lembrou-os que num clube como o Sporting é preciso haver mais exigência.

“Vejo, em todas as modalidades, um apoio que mais nenhum clube tem no mundo, mas um grau de exigência muito pequeno. A cada mau resultado, e então se torno público o meu desagrado, lá vem a onda de apoio aos “meninos”. Nas modalidades, sem ser o futebol, então é confrangedor… perdemos jogos e lá estão as bancadas a aplaudir os “seus meninos” e a acarinhá-los. Nos bons e maus momentos dizemos nós! E tem de ser assim. Mas não podemos ser só nós, dirigentes e adeptos, a sofrer. Neste Clube, treinadores e atletas têm como missão dar-nos bons momentos e evitar os maus. O seu direito é ter boas condições de trabalho e os ordenados em dia. O seu dever é ser profissionais, honrarem a nossa camisola, dignificarem o Clube, vencerem ou lutarem até à exaustão e terem sempre compromisso com os objectivos estabelecidos: ganhar, conquistando todos os títulos que disputam.

Não nos devemos esquecer do esforço herculeano, feito por esta Direcção, para realizar os maiores investimentos de sempre em todas as modalidades. Nem que seja só por isso, estes “meninos” têm que ser sempre homens e ganhar os seus jogos e conquistar títulos, sem desculpas, sem estar sempre a falar de arbitragens, sem usar adversidades inexperadas ou o azar, percebendo que têm de fazer muito mais, e que a massa adepta que apoia o Sporting CP merece a Glória e não apenas viver alegrias a “espaços”, dada por quem tem a sorte e o privilégio de envergar a nossa camisola.

O meu maior erro foi ainda não ter conseguido incutir nos adeptos esse sentimento de exigência constante, esse sentimento de que ninguém faz favor de servir o Sporting CP, mas, pelo contrário, ou está disposto a “morrer” em cada embate ou não merece ser apoiado.

Quando se aponta o dedo aos “meninos” é o “aqui d’el-rei”. Credo! É o horror, o sacrilégio… Começam logo os opinadores leoninos: faça-o em privado, não confunda coisas, não é bem assim, etc. … Tendo uma “alma pequena”, não podemos exigir constantemente a grandeza e iremos continuar a viver com menos vitórias do que as que poderiamos ter e, ainda por cima, supostamente eu “teria” que ficar “agradecido” apenas por jogarem. Este tipo de raciocínio não é para mim. Não podemos ganhar sempre, mas temos sempre que honrar e dignificar a nossa camisola, com suor e, se for preciso, até à exaustão de cair para o lado, sem mais forças, no fim de cada jogo. Pelo menos nas derrotas temos de ver atletas físicamente de rastos.

As modalidades, como todos sabem uma das minhas paixões além do futebol, sei bem que são elas que nos permitem ser a maior potência desportiva nacional através, não só do ecletismo, mas sobretudo pelos mais de 20 mil títulos, nacionais e internacionais, conquistados e que têm feito de nós, ao longo dos anos, tão grandes como os maiores da Europa. Neste capítulo, irei sempre orgulhar-me de ter sido o Presidente que, com a sua equipa, construiu o Pavilhão e que, ao invés de acabar com as modalidades, trouxe novas e fez regressar algumas das históricas, e tudo isto com os maiores investimentos de sempre feitos pelo Clube no seu ecletismo.

Mas isto tem de obrigar-nos a ter, sem medos nem receios, uma cultura de exigência diária para com todos os que servem este Clube. E assim o faço, a começar por mim próprio, mas devo aqui alertar que os adeptos foram muitas vezes, com toda a sua boa vontade e sentimento de defesa da sua “familia”, um “entrave” pois, sem querer, foram enchendo egos e aceitando, ou dando mesmo, desculpas para os insucessos.

Ainda não consegui, em 4 anos, mudar completamente essa mentalidade. Percebo que os sportinguistas vejam, nas restantes modalidades, o escape dos insucessos do futebol. Mas temos de deixar de ter esse espírito e saber acompanhar o investimento feito e logo perceber que o grau de exigência tem de crescer proporcionalmente e na mesma medida. Podemos e devemos manter a postura e convicção de que somos os melhores adeptos do mundo, mas exigir, exigir sempre!

Quanto ao futebol, para além de toda a realidade escrita nos parágrafos anteriores, e porque também estamos com os maiores investimentos de sempre, nada mudou desde o que disse durante as eleições, ou após o jogo contra o Belenenses e o meu post de esclarecimento de qual é o projecto e de quem é o meu treinador ou o resultado contra o Feirense. Só os mais desatentos não ouviram, após o jogo contra o Belenenses, que eu disse “na próxima época” tudo tem de mudar. Porque será que não disse no próximo jogo tudo tem de mudar?

Também no futebol temos de subir um degrau. Nós, dentro das 4 linhas, com Esforço, Dedicação, Devoção e obtenção de Glória. E os restantes adeptos, mantendo o estádio cheio mas deixando sempre claro que somos exigentes, que queremos vencer, que todos têm de ter um grau de entrega e compromisso equivalente à grandeza do nosso Clube.”

Leia na integra as declarações de Bruno de Carvalho :

Advertisements