Rui Mendes – Quando a persistência compensa

Nasceu em Lisboa e quando era criança era movido pela paixão pelo Benfica. Hoje vive o sonho de servir o clube do coração.

“A persistência é o caminho do êxito.” Este é o lema de vida de Rui Manuel Mendes, que aos 36 anos é o editor do Jornal Semanário “O Benfica”, onde cumpre os seus dois sonhos de criança, ser jornalista e contribuir para o sucesso do Benfica.

Para Rui, o “benfiquismo” é uma chama que nunca se apaga, mesmo quando parece que não há forma de ultrapassar as situações mais desfavoráveis. É encarnar o espírito de luta e apoiar de forma incondicional todo o Universo do Sport Lisboa e Benfica, dando um precioso contributo para que as vitórias sejam uma realidade. “A paixão pelo Benfica não tem explicação. Cresci no estádio no meio dos benfiquistas. Sou sócio desde que me lembro, é uma coisa de família”, conta.

O espírito de luta não está apenas relacionado com o Benfica, é algo que o acompanhou toda a vida e que o fez chegar ao patamar em que está hoje. “Já fiz muitas coisas foras da área. Nunca tive medo de procurar fora do jornalismo, o mais importante é nunca desistirmos. Se não há jornalismo há outras coisas”.

Licenciou-se em Ciências da Comunicação e da Cultura em 2002, pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, tendo começado a estagiar no Verão do mesmo ano, na área de desporto, do Jornal Online “Diário Digital”. A paixão pelo desporto e pelo futebol diz sempre ter estado presente. Na infância simulava competições europeias e coleccionava caricas onde pintava a caneta o número dos seus jogadores preferidos para jogar. Conhecia todas as equipas dos países com menos impacto no futebol mundial, equipas da Hungria, da Finlândia, da Irlanda e até do País de Gales, clubes que mais ninguém conhecia. “Devorava tudo o que é futebol, desde o championship manager, às tardes de futebol da RTP 2 e da SIC, era maluco.”

O esforço, a dedicação e a entrega ao que faz são características definidoras da sua personalidade, e são essas mesmas características que chamaram à atenção dos responsáveis do Diário Digital, que não hesitaram em dar-lhe uma oportunidade. Nesta nova fase afastou-se da sua zona de conforto e passou a escrever artigos das mais diversas áreas, política, música, economia e sociedade. Mas, em 2005, a falta de valorização pelo trabalho desenvolvido, levaram-no a demitir-se. “O mundo do jornalismo é um mundo injusto, desiludiu-me. Via pessoas a esforçarem-se e a trabalharem para merecerem um salário melhor e mais reconhecimento e esse reconhecimento não lhes era dado, e depois havia pessoas que não faziam nada e ganhavam balúrdios”.

Jovem e ainda sem uma casa para sustentar, decide aventurar-se e experimentar coisas novas, iniciando uma formação na Vodafone para trabalhar num call center. Diziam que tinha jeito, no entanto cedo percebeu que não era aquilo que queria. Desistiu e ficou sem nada.

Foi mantendo contacto com o Diário Digital, que acabou por o convidar a voltar a colaborar com eles. As condições oferecidas seriam as mesmas que o tinham levado a sair e, fiel às suas crenças e à sua linha de pensamento, decidiu recusar a oferta. “Quero sempre evoluir e achei que não fazia sentido estar a aceitar condições com as quais não concordava. Tive ali uns meses complicados, sem emprego mas estive sempre à procura, nunca baixei os braços, fazia o que fosse preciso.”

Vira-se para fora do jornalismo puro e duro e acaba por estar dois meses como assistente editorial no Departamento de Livros Genéricos do Grupo Impala. Nesse período, foi responsável por todo o trabalho de investigação e pela escrita do livro “Método de Pilates”. “ O meu nome não está lá mas posso dizer que escrevi um livro. Teve muito sucesso inclusive, já conta com muitas edições, mas eu nunca ganhei nada com aquilo”.

Decidido a voltar à área começa a mandar currículos para os mais diversos meios de comunicação, até que, em julho de 2006, surge a oportunidade de tratar da atualização de um novo site online, o Sportugal, que tinha obtido muito boas referências do seu trabalho por parte do Diário Digital. De novo ligado ao desporto, é aqui que Rui conhece o homem, que anos mais tarde seria o responsável pela sua chegada ao Benfica. “Enquanto o projeto durou financeiramente foi uma grande experiência, mas depois acabou”. Neste período lançou-se como freelancer, fazendo alguns trabalhos para o Correio da Manhã, nomeadamente um artigo sobre o André Lima e o Madjer, jogadores de futsal e de futebol de praia respetivamente.

Terminada a sua colaboração no Sportugal, e perante as dificuldades em trabalhar naquilo que gosta, acaba por ir para a LeasePlan, uma empresa de renting e gestão de frotas. “As coisas estavam complicadas e acabei por me inscrever em empresas de trabalho temporário. Tinha que trabalhar e ganhar dinheiro. Foi aí, então, que surgiu a possibilidade de trabalhar na LeasePlan e não estando em condições de recusar, resolvi aceitar”. Era um trabalho temporário e não ficou lá muito tempo. Voltou a enviar currículos e é contratado por uma empresa de clipping, a empresa Manchete. Nesta altura, passou a acordar às 5 da manhã para ir trabalhar, mas o facto de sair às 13 horas, permitiu-lhe agarrar-se de novo à parte do freelancer, o que acabaria por lhe abrir várias portas. “Um jornalista que estava no Correio da Manhã na minha altura no Sportugal conhecia o meu trabalho e quando saiu para o DN lembrou-se de mim para eu escrever artigos para a área desportiva. Zdenek Grigera, Alexander Zickler e Karlheinz Riedle foram alguns dos grandes nomes que tive o privilégio de entrevistar, foi uma grande experiência”.

Com o objetivo de voltar definitivamente ao jornalismo, volta a colaborar com o Diário Digital e simultaneamente com a Revista Time Out (versão online), enquanto mantinha o seu emprego na Manchete. “Fiz de tudo praticamente, mas o jornalismo sempre foi o meu sonho, nada me faria desistir”.

É aqui que recebe uma chamada que muda completamente a sua vida. O homem que tinha conhecido durante o seu percurso no Sportugal, havia-o recomendado ao departamento de comunicação do Benfica, que o convida a ser o editor do Site Oficial, trabalhando ao mesmo tempo para o jornal “O Benfica”. 3 anos mais tarde, em Setembro de 2012, o Site Oficial dos “encarnados”, comandado por Rui, é eleito o terceiro melhor site de entre os clubes presentes na fase de grupos da Liga dos Campeões. Este feito não passou despercebido aos responsáveis da BTV, que prontamente lhe lançaram um desafio para trabalhar no canal televisivo.

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Um bocado a medo decide sair da sua zona de conforto, a plataforma online, e aventurar-se num novo meio de comunicação, a televisão. “Na minha infância era uma pessoa muito tímida. Se naquela altura me tivessem dito que um dia ia trabalhar em televisão eu teria dito que era impossível, mas aconteceu. Possivelmente desci em termos de posição na estrutura, mas foi uma boa experiência. Aprendi muita coisa, principalmente em termos de edição de imagem”.

Na Benfica TV fez novamente um pouco de tudo e, como recompensa pelo trabalho desenvolvido, regressa ao jornal na qualidade de editor, onde encontrou muitas coisas que não foram do seu agrado. “Quando o Rui chegou a situação era bastante diferente da de hoje. Ele contribuiu e muito para a estrutura e organização do jornal. Desde que ele está cá que a produção de conteúdos melhorou imenso. Acabou a desorganização a todos os níveis, até no fecho da edição se nota isso”, conta Magda António, funcionária do Sport Lisboa e Benfica desde 1999 e secretária de redação.

Esta opinião é corroborada por Steve Grácio, licenciado em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e atualmente colaborador da Benfica TV, que considera notórias as melhorias verificadas no jornal desde que Rui Mendes assumiu o cargo. “Desde que o Rui é o editor o jornal está muito mais dinâmico e apelativo a quem lê. Ele tenta sempre fazer um trabalho de fundo, um trabalho de exploração e de investigação. Não se limita a copiar o conteúdo da BTV e penso que isso é muito importante e acaba por valorizar o jornal”.

Enquanto editor do Jornal, Rui Manuel Mendes tem também a função de integrar e de orientar os estagiários que vão chegando, algo que considera ser extremamente gratificante. “Orientar quem está a começar, dar indicações, tentar perceber que tipo de pessoa temos à nossa frente é um desafio. Todas as pessoas são diferentes e têm diferentes formas de trabalhar, e eu tento acompanhar o máximo possível e adaptar-me à pessoa que tenho à frente. É uma experiência muito enriquecedora”.

Para Luís Guerreiro, antigo estagiário do jornal, esta capacidade de adaptação não passa despercebida a ninguém. “É uma pessoa muito acessível, entende logo quais são as nossas dificuldades iniciais e ajuda-nos a melhorar. Está sempre preocupado connosco e isso é algo que não se vê muito frequentemente em outros locais de trabalho.” O contributo do editor é também fundamental para Bruno Cardoso, outros dos estagiários por ele orientado. “Quando cheguei ao Benfica colocou-me logo à vontade. Esclarece-me todas as dúvidas e incentiva-me imenso para que possa evoluir nesta área. É muito profissional e exigente, mas também sabe os momentos certos para descontrair e brincar e isso cria um grande ambiente no local de trabalho”. Magda António, que conhece Rui desde o início do seu período no tricampeão nacional, confirma, definindo-o como uma pessoa muito divertida e bem disposta, apesar do seu carácter mais sério no exercício das suas funções.

Estando apto a trabalhar em qualquer tipo de meio de comunicação, a polivalência é sem dúvida uma das suas mais-valias enquanto profissional, mas o que realmente o distingue é a paixão por aquilo que faz e pelo clube que representa. “Os interesses do Benfica estão sempre à frente dos meus. Tudo o que faço é a pensar no que é melhor para esta grande instituição. Desde os títulos que escolho, à forma como escrevo e edito os artigos. É tudo a pensar no Benfica”.

Rui Manuel Mendes é atualmente uma das peças fulcrais da engrenagem da comunicação do Benfica, onde se sente confortável e pretende continuar a crescer e a obter o devido reconhecimento pelo sua entrega e dedicação. “Acho que tenho margem para evoluir mais e atingir outro tipo de funções. Há sempre projetos aliciantes. A área da estatística é uma área que me fascina e em que um dia gostaria de estar envolvido”.

Quanto ao futuro todas as portas estão abertas, exceto as do Sporting e do Porto.

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